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Dentro do processo de planejamento no
lançamento de um álbum, a escolha da primeira música a ser divulgada nas
mídias é tão importante quanto a fase de escolha de repertório ou mesmo
da produção musical. Recentemente as gravadoras evangélicas passaram a
investir mais no conceito de single também chamado de “música de
trabalho”. O single nada mais é do que uma música com grande qualidade,
apelo junto ao público e que deve ser maciçamente executada nas rádios.
E como escolher a música de trabalho?
São alguns aspectos técnicos que devem ser
avaliados na escolha do single, tais como a qualidade da música em si,
seu apelo junto ao público, um refrão de fácil assimilação por parte do
ouvinte, arranjos agradáveis e diferenciados e até mesmo o tempo total
da faixa.
O single deve ser uma canção que
destaca-se entre o repertório do álbum. Geralmente é uma canção que na
montagem da ordem do CD não deve estar além da terceira faixa. É uma
música que traz uma sonoridade diferenciada rompendo com a linearidade
do álbum. Uma dica que sempre dou aos artistas é que o repertório deve
ser testado in loco, que neste caso corresponde às apresentações do
artista em eventos e igrejas. Se uma música não consegue emplacar junto
ao público em apresentações ao vivo é porque ela merece algum acerto ou
mesmo ser destituída de sua posição no repertório do CD. Aproveite ao
máximo as oportunidades para “testar” ao vivo e a cores as músicas que
irão fazer parte de seu novo projeto.
Ainda neste mesmo “teste de prova”,
observe a reação da platéia à apresentação da música. Veja atentamente
se o público em poucos acordes foi conquistado pela canção. O segundo
passo é observar se o refrão em pouco tempo é repetido pelo público. Se
quiser frisar melhor a canção, faça um ensaio antes de apresentar a
canção e ensine rapidamente o refrão ao público. Observação é a chave do
sucesso!
Um single não deve ultrapassar os 4
minutos de duração. Hoje em dia as canções têm entre 3 a 4 minutos de
duração, o que facilita a execução nos exíguos minutos disponíveis nas
programações das FMs. Se sua canção tem tempo superior a estes 4
minutos, providencie uma versão mixada especial para rádios e mantenha a
versão original exclusivamente no CD. Dificilmente você conseguirá que
os programadores de rádio sejam complacentes com sua música e acatem 6,
7 minutos de música. E pior, se você não oferecer a versão mixada, corre
o sério risco de se deparar e ouvir sua canção ser mutilada por qualquer
operador de estúdio sem qualquer compromisso com a qualidade de sua
música! Não corra este risco de jeito algum!
Um álbum promissor é aquele que consegue
reunir 3 a 4 músicas de destaque. O pior álbum é aquele clássico CD de
uma música só, como infelizmente nos deparamos aos borbotões no mercado
fonográfico. Outra preocupação que devemos ter na escolha do single é
que esta canção deve ser aquela que referenda o estilo musical do
intérprete. Em poucas palavras, se um artista sertanejo resolve incluir
uma canção pop rock em seu CD e esta canção realmente é fortíssima
candidata ao posto de single, esta é uma decisão que deve ser repensada
afinal o single é aquela canção que apresenta o estilo do artista.
Imagine que este cantor sertanejo ‘estoure’ nas FMs com essa canção pop
rock e aí o consumidor ao adquirir o CD perceba que o estilo dele é
sertanejo brega. O resultado é claro! O consumidor comprou gato por
lebre. Então observe que o single tem que ter alguma relação com o
estilo do artista ou da maior parte das canções do CD.
Geralmente um single deve ser investido
entre 90 a 120 dias, tempo necessário para perceber-se se a canção foi
ou não aceita pelo público. Neste caso é fundamental acompanhar o
feedback dos ouvintes nas rádios e na web. Após esta etapa deve-se
observar a reação do público à canção e só então decidir-se por “virar
uma nova faixa”, ou seja, investir num segundo single do CD. Por favor,
não caia na tentação de trabalhar 2 ou 3 músicas simultaneamente. Isto é
sinal de falta de planejamento e mesmo de afobação!
Entre as ações de fortalecimento de um
single, vale a pena investir na produção de um vídeo clipe. Enfim, toda
e qualquer ação de suporte à massificação da canção de trabalho é sempre
bem vinda! Pra terminar, seja o mais democrático possível na escolha do
single. Lembre-se de que esta decisão irá interferir decisivamente na
trajetória de sucesso ou fracasso do CD. Além de ouvir atentamente as
opiniões de seus músicos e produtor, se possível converse com algum
profissional de rádio. Geralmente a leitura deles para a escolha de um
single é bastante importante porque serão eles, de alguma forma, que
irão trabalhar com este material, no caso, a música.
Mauricio Soares é publicitário,
tricolor carioca, profissional com horas e horas de audições e com uma
boa bagagem na escolha de singles entre tantos e tantos lançamentos e
nem por isso, convicto de que todas as suas decisões são realmente as
mais acertadas.
Fonte:
Observatório Cristão |