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O CD SE EU ME HUMILHAR marca
uma virada da Discopraise. Assim como o Jota Quest fez em Oxigênio, a
pegada da banda saiu um pouco da Black-music e desembarcou numa onda
mais rock neste lançamento de 2008.
Algumas coisas ficaram
patentes neste CD: A mudança não foi ocasionada pela “onda praise” atual
da música gospel. Parece que a banda o fez isso por viver um momento
muito especial, com grandes experiências com Deus (coisa que fica
latente na maioria das letras) e também por estar mais atuante no louvor
congregacional, o que aconteceu quando era muito utilizada no louvor da
Sara Nossa Terra e depois na organização da Igreja Braço Forte do
Senhor, onde o Clayton é pastor.
Pela primeira vez o Davi
Moreno é o grande destaque do CD. As guitarras estão mais visíveis e
sempre com riffs bem cuidados e criativos, não se contentando apenas em
distorcer, mas indo atrás de outros timbres para completar os arranjos
com beleza e sensibilidade. Clayton O´lee se destaca com um dos melhores
vocais da nossa música evangélica. Jota não deixa nada a desejar nos
baixos. Claudio Gomez traz muita sensibilidade com seus synths e timbres
vintage. Os tecladistas gospel deviam imitá-lo. Alysson mostra que não é
só bom na música Black, mas dá o ar da sua graça com competência na
batera. Ruben di Souza apesar de ser um dos maiores nomes da produção
brasileira atualmente, com artistas de renome no seu currículo, parece
que sempre rende muito mais quando produz a Discopraise.
Gravado no próprio estúdio
da banda, o CD traz arranjos criativos, timbres belíssimos e não muito
usuais e um toque de sucesso na maioria das músicas. As letras da banda
não repetem os chavões da atual música gospel, as melodias não tentam
imitar ninguém e os arranjos podem ser feitos em qualquer culto de
qualquer igreja. Resumindo, "Se Eu me Humilhar" é uma boa pedida para o
momento de louvor. Guardadas as devidas proporções, uma espécie de
evolução das músicas do VPC, para os dias atuais. Só esperamos que a
banda não abandone a Black Music Brasileira que marcou os seus 2 CDs
anteriores. Confira a análise abaixo deste projeto lançado pela Graça
Music.
A primeira música é
"Salvo pelo teu Amor", que demonstra bem o novo peso da banda. Com
uma guitarra bem frenética, Davi Moreno, para mim o destaque desse CD,
começa a mostrar sua guitarra cheia de riffs maravilhosos. A música fala
da alegria de ser amigo de Deus e da certeza de que a nova vida é bem
melhor do que a antiga. Um verdadeiro hino aquele que salvou as nossas
vidas. O arranjo lembra muito o rock inglês, com uma bateria vigorosa e
o vocal sempre competente do Clayton O’lee. O refrão cola na boca dos
crentes, assim como vários desse cd de louvor.
"Altos Montes"
continua no mesmo clima, com a guitarra fazendo a introdução em riffs
intercalados com a batera. Logo na primeira estrofe entra uma espécie de
percussão que entra como se fosse um helicóptero, intercalada com vários
timbres sintetizados. A letra fala da vontade de conquistar, através da
fé em Deus. Depois do refrão, novamente Davi Moreno entra com sua
guitarra num solo majestoso a la Carlos Santana, e a música volta mais
punk deixando o rock mais pesado ainda.
"Novo Começo" faz a
gente lembrar um pouco das introduções de outra banda brasiliense
(Legião Urbana) que também foi muito influenciada pelo rock inglês dos
anos 80. A música vai para um clima mais calmo, com uma letra muito boa,
falando de coisas que não estão muito na moda no meio evangélico, como
estar disposto a pagar o preço por um novo começo, não ser mais um na
multidão, se deixar ser alvo do cumprimento da vontade de Deus, o
direito de não ter direito algum, etc. No final da música, bem na ponte,
entra um pequeno vocal, coisa que quase não acontece no restante do
disco, outra diferença em relação ao CD anterior, em que a voz do
Clayton se perdia em meio a tantos vocais (feitos pelo Thalles e Play,
ex-Jota Quest). Parabéns para a banda por colocar isso na boca dos
jovens de hoje. Outro refrão que com certeza pode pegar.
"Se eu me humilhar",
música que dá nome ao cd é com certeza o maior hit desse lançamento. Não
só por ter o auxílio luxuoso do amigo da banda André Valadão, mas por
ser uma letra bem forte e uma melodia bem gostosa de cantar. Mais uma
vez a banda prefere o caminho da letra de um servo, bem diferente da
tendência de letras que exaltam o homem e deixam Deus como um escravo
para realizar nossas vontades. A referência a sacrifício, centro do
querer de Deus, não repete palavras de ordem da música gospel atual e
por isso se torna uma temática interessante para ser cantada nos nossos
cultos. Clayton não deixa nada a dever a interpretação do
ultra-mega-tera divulgado André Valadão. A balada começa bem lentinha e
depois, mais uma vez dá espaço a um lindo solo do Davi Moreno. Vale
soltar o gogó para cantar esse sucesso.
A partir de "Teu Nome
Move o Impossível", começa a parte que eu mais gosto do CD. A música
começa com um teclado com um timbre bem anos 70, o mesmo pode se dizer
da guitarra que logo dá uns detalhes bem colocados na música. O vocal do
Clayton passa a se mostrar com mais força, confesso que senti falta dele
no Vai Tudo Muito Bem. Não vou falar da letra, pois o Clayton explica
melhor como nasceu essa música aqui. Mas no finalzinho da música entra
um vocal que lembra muito um pouco da música mineira do Clube da
Esquina, o que deu um toque ainda mais bonito na música.
"Fala Comigo" começa
com teclados e timbres bem intimistas,mais uma vez Clayton dá um show. A
letra, como todas deste CD, refletem uma momentos de intensa relação da
banda com Deus. Digamos que o cd todo passa a sensação que ele foi feito
a partir de momentos de grande adoração pessoal dos rapazes de Brasília.
Confesso que junto com minha família já ouvi este CD mais de 500 vezes e
até agora me arrepio ao ouvir essa
música. Ela se torna uma ótima pedida para momentos de quarto de escuta,
ou de meditação diária. Uma sampler de bateria marca o ritmo, sempre
acompanhada pela escolha sensível de timbres de teclado. Parabéns para o
Cláudio e com certeza para o quinto elemento da Discopraise, o produtor
Ruben di Souza.
"Chega de Adiar" é a
sétima música deste CD. Juro que toda vez que ouço essa melodia me dá a
impressão do refrão ter sido feito para um funk, mas a banda leva a
música num rock bem a Hillsong, quem aparece bastante são os pratos da
bateria do Alysson Villefort. A letra chega com força motivando o
ouvinte a cumprir os planos de Deus sem deixar para depois tudo o que
Ele tem para nós. A guitarrinha discreta lembra bem o Legião no começo
da carreira.
"Cura-me" é a minha
predileta do CD. Começa com um timbre maravilhoso de teclado, lembrando
os pianos rodhes dos anos oitenta. A melodia maravilhosa dá espaço para
letra que fala do poder de Deus através da história. Que eu seja a prova
da sua existência chama o ouvinte a ser o próprio milagre de Deus. O
arranjo bem intimista mostra detalhes de violões, intercalados com uma
percussão bem discreta e com o vocal que novamente aparece para elevar o
tom da música. Pronto foi o bastante para o Clayton aproveitar e mostra
o alcance da sua interminável voz.
"Sala do Trono" é a
penúltima música que visa levar a metáfora do adorador à sala do trono
de Deus. Arranjo bem cuidado, sem repetir muito as passagens, guitarras
se revezavam em distorções e timbres intimistas, Detalhes dos timbres de
teclados deixam a música bem criativa.
"Ao teu lado" aponta para
que o CD terminasse no mesmo clima intimista, mas isso só nos primeiros
10 segundos, logo depois a guitarra e a batera esquentam a música,
deixando logo depois o clima mais calmo para o vocal. A letra relembra a
vontade de aumentar a relação com Deus, de aprofundar, de antes só
conhecer por ouvir e agora andar ao lado de Deus. A banda mostra
competência em mais um rock, com cada instrumento no seu lugar. Certos
momentos lembra bastante o U2, principalmente com os grandes gritos
afinados do Clayton O´lee. "
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