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[24/01/09]
DJ Alpiste fala sobre carreira, novo trabalho e comenta a tragédia
ocorrida na Igreja Renascer em Cristo, igreja onde o rapper congrega...
LUCIANA
MAZZA:
Você começou a cantar no gospel na década de 80, correto? Pode contar
como foi no princípio?
DJ ALPISTE:
Sim. No início da minha carreira eu fazia o trabalho de DJ.
Ficava atrás de toca-discos montando todo o show, para quem ia cantar.
Eu já trabalhava em casas noturnas antes de conhecer esse pessoal do
rap. Fazia bailes Black aqui em São Paulo, até mesmo antes do hip hop
existir. Não imaginava que depois de alguns anos ia acontecer uma onda
forte de hip hop. E quando isso apareceu o pessoal falava: "Puxa, mas
nós já fazemos isso aqui!" Então houve uma identificação muito grande e
eu peguei o começo de tudo. Acompanhei o surgimento dos primeiros grupos
aqui em São Paulo: Thaide, DJ Hum e Sampa Crew. Sendo que com o Sampa
Crew, tive a oportunidade de andar com eles, bem no comecinho da
carreira e isso foi uma escola. Basicamente eu comecei assim.
LUCIANA
MAZZA:
Em 1993 você se converteu. Como se deu sua conversão?
DJ ALPISTE:
Um amigo que fazia baile comigo se converteu e veio me
evangelizar. E como nós tínhamos uma amizade muito forte, então ele foi
falando de uma forma legal que me ganhou e eu me senti interessado em
ouvir. Me interessei tanto que um dia fui à igreja Renascer em Cristo,
naquelas segundas-feiras que tinham na sede, que bombava e a rua ficava
lotada, quando o pessoal do Oficina G3 e do Kadoshi tocavam lá. Um dia
eu vendo a Banda Kadoshi tocar lá me converti ali na Lins, também
movido pela música e naquele ambiente tomei a minha decisão. Mas para
mim foi uma decisão duradoura, foi algo que permaneceu. Já fazem 15
anos.
LUCIANA
MAZZA:
Em falar em Kadoshi, sua primeira experiência no mercado gospel foi
junto à banda, não?
DJ ALPISTE:
Foi com o Kadoshi sim, pois quando eu me converti eu não tinha
idéia do que ia acontecer comigo. Eu não sabia dos planos de Deus para a
minha vida. Eu também não tinha nenhuma experiência de letra. Nunca
tinha escrito nada. Nunca tinha cantado um rap e nunca tinha gravado
nada com a minha voz. Fazia algumas coisas com os meus amigos... Mas a
minha função mesmo era ser DJ. E aí eu comecei a escrever algumas letras
motivado por ser um novo convertido. Foi então quando eu escrevi "Ser ou
não ser" e mostrei para o Pastor Silas do Kadoshi. Abordei ele um dia na
igreja e falei: Olha eu tenho uma letra de rap aqui. Quer ouvir? E aí
ele me convidou a ir ao escritório dele para mostrar e começou então uma
amizade, eu mostrei a letra para ele. Ele gostou muito! Tanto que mais
tarde esse foi o primeiro registro fonográfico de um rap gospel no
Brasil.
LUCIANA
MAZZA:
Como foi a transição do mundo secular para o gospel?
DJ ALPISTE:
Foi muito louco. Pois eu já tinha muitos contatos com o meio
artístico e acompanhava todos os tipos de rap, também já tinha feito
vários shows internacionais na época da Black Mad. E estar junto de uma
banda como o Kadoshi, que é referência na música Black era louco. Não é
possível falar de música gospel sem falar em Kadoshi. Foi uma escola
muito grande tanto no lado espiritual como no lado profissional. Eles
arrastavam multidões! Tocavam para 20.000 pessoas. E só pelo fato de
poder estar junto já era um privilégio. E ali foi quando Deus começou a
usar minha
vida para dar o testemunho, no show do Kadoshi e também foi aí que
aconteceu toda a avalanche de pessoas se convertendo. E o rap ao mesmo
tempo em que chocava quando entrávamos nas igrejas, tinha um resultado
muito grande, pois víamos as pessoas entregando suas vidas, tinham
ouvido um testemunho ou uma música que quase não existia dentro da
igreja. O retorno espiritual era muito grande!
LUCIANA
MAZZA:
Era possível rimar com liberdade naquela época? Como você foi recebido
nas igrejas?
DJ ALPISTE:
Nunca me preocupei com isso. Eu sempre tive liberdade para
escrever! Podia escrever sobre o que quisesse, tanto que tem uma música
que está no meu primeiro CD que é considerada uma das músicas mais
polêmicas que já cantei no gospel até hoje que é a "Depois do
Casamento", uma música que fala de sexo. E nessa época há 15 anos
ninguém abordava esse assunto para os jovens. Eram poucas as igrejas que
permitiam hip hop dentro das igrejas. A igreja estava começando a se
abrir, a se modernizar, mas alguns assuntos ainda eram tabus. Sexo era
um grande tabu! Quando apareci com essa letra não fiquei preocupado se
algum pastor ia gostar ou vetar, entende? Na época foi um choque da
mesma forma que existiam pessoas que apoiavam tinham outras que não
entendiam. Falavam: "Isso não é de Deus! Aí algumas pessoas perguntavam:
Será que esse cara é crente? Eu costumo dizer que tudo que aconteceu na
minha vida na verdade não foi crédito meu... Deus poderia ter usado a
vida de qualquer pessoa e ele usou a mim! Para que ele pudesse ter a
glória! Eu reconheço que sou pioneiro em algumas coisas, mas também
reconheço que eu sou o menor! Quem tem que aparecer é Jesus! Eu acho que
Deus usou a minha vida para construir algo que hoje nós chamamos de Rap
Gospel.
LUCIANA
MAZZA:
A primeira letra nasceu em 1994, e o primeiro CD "Transformação" em 1997
vendeu 30.000 cópias, é verdade?
DJ ALPISTE:
Foi o primeiro CD de Rap de um artista solo no meio gospel. Foi
fenomenal porque há 10 anos você vender 30.000 CDs era um marco! Era
algo bem louco, era sinal de que estávamos conseguindo alcançar muitas
pessoas e o objetivo era esse.
LUCIANA
MAZZA:
Houveram críticas a esse primeiro trabalho?
DJ ALPISTE:
Eu sempre fui um cara pé no chão. E sempre preservei o
compromisso que tenho com a minha igreja que é a Renascer em Cristo onde
eu me converti. Lá eu tive muito apoio dos pastores, do Apóstolo
Estevam, da Bispa Sônia; ao mesmo tempo em que eu era muito criticado
também eu era muito defendido por eles. E hoje se eu estou há 15 anos na
música, no ministério, é sinal que tenho coisas boas para mostrar.
LUCIANA
MAZZA: Que outros trabalhos vieram depois?
DJ ALPISTE:
Depois não parou mais veio "Efésios 6:12", com mais de 100.000
cópias vendidas, "O Peso da Palavra" com mais de 50.000 cópias,
"Fanático" que depois deu origem ao "Acústico", que foi o primeiro CD e
DVD de rap acústico no Brasil. Depois desse acústico saiu "Coisas que
você precisa ouvir" em 2006, "Pra sempre" em 2007, que ganhou o "Troféu
Talento" como o melhor CD de Rap e o último agora é o "Arrebatador".
LUCIANA
MAZZA:
Pode falar mais sobre esse último trabalho?
DJ ALPISTE:
É uma nova etapa na minha vida. Eu demorei mais de um ano
para fazer todas as músicas e fiz da forma que eu queria! Com as
participações que eu escolhi! O novo cd "Arrebatador" é o
oitavo CD da carreira. Eu mesmo produzi as músicas e escrevi todas as
letras, tem as participações especiais de Pregador Luo, Lito Atalaia,
Mano Reco, Naldo Dee, Marcio Attack Versos, Rappin Hood e MC Carlinhos,
foi gravado no mesmo estúdio onde fiz meus trabalhos anteriores no
"Atelier Studio", pelo Vander Carneiro, que é quem cuida da qualidade
musical dos meus CDs, esse álbum foi feito sem pressa e aos poucos, para
poder obter um resultado bem melhor que os anteriores na questão de
elaboração das músicas e escolha de repertório. Gostei muito do produto
final, me surpreendeu bastante, espero que a galera goste, pois foi
feito com muito carinho e dedicação para a Glória de Deus. É um trabalho
que está muito mais maduro musicalmente e espiritualmente. Hoje eu
consigo ter mais liberdade para falar de algumas coisas e estou mais
focado, sei exatamente a mensagem que quero passar e o nome é justamente
para chamar a atenção das pessoas para o arrebatamento e o assunto de
todo o CD gira em torno disso. Quero que as pessoas parem e se examinem.
LUCIANA
MAZZA:
Que trabalhos além do seu você considera referência?
DJ ALPISTE:
Na minha opinião a Banda Kadoshi será sempre uma referência. Eu
também gosto muito da Fernanda Brum, do Toque no Altar. Agora no
Black, DJ Alpiste acho que é uma boa opção (risos). Falando sério eu
gosto do Lito Atalaia, do Silvera, FLG e do Márcio entre outros...
LUCIANA
MAZZA:
Como você vê o movimento Black hoje no mundo gospel?
DJ ALPISTE:
Eu acho que existe muita especulação. Têm muitos aproveitadores
aí no meio. Tem muita gente querendo comer em primeiro lugar a fatia do
bolo que nós levamos muito tempo para fazer. Colocamos a mão na massa,
fizemos a cobertura e o recheio. E o cara chega no final e quer só
comer! Eu acho que todos têm que ter um espaço, mas cada um deve saber o
seu lugar na fila. Tem um bolo para ser comido, mas tem uma fila,
entende?
LUCIANA
MAZZA:
Quem é o Alpiste hoje? Você se considera polêmico? O que você aprendeu
nesses anos de carreira? O que você faria novamente e o que você não
faria?
DJ ALPISTE:
Faria música e mais música! Por outro lado acho que hoje eu não
me atrelaria a pessoas erradas. Eu não me considero um cara polêmico,
mas as pessoas me consideram. Eu gosto, às vezes, de dar uma cutucada
para provocar uma reação, isso é muito bom. Quando o mar está muito
calmo parece estranho. Às vezes eu gosto de mexer na água para
escutar o barulho das ondas. Eu não ligo muito para críticas não! Sou um
cara bem pé no chão.
LUCIANA
MAZZA:
Quais são seus planos para esse ano? Você está lançando uma
campanha junto a MR1 Comunicação & Marketing, combatendo a cópia de
músicas pela internet. Pode explicar mais a fundo sua opinião sobre esse
assunto? O que pretende alcançar com essa luta?
DJ ALPISTE:
Meus planos são bombar o CD Arrebatador, o meu site
www.djalpiste.net,
e levar para todo o Brasil a campanha que combate a cópia de músicas
pela internet. Há alguns anos fui alertado por amigos músicos que o
mercado não andava bem devido a pirataria. Comecei a estudar o assunto a
fundo e me surpreendi com a dura realidade que é a pratica criminosa
usada na internet: baixar um CD se tornou mais fácil que comprar uma
cópia num camelô, e esses sites muitas vezes são disponibilizados por
igrejas, o que é muito pior. Essa prática criminosa está prevista em
lei, e é passível de pena de prisão, mas como tudo em nosso país acaba
em pizza resolvi sacudir a mídia, as igrejas e a classe artística junto
com a MR1,agência que cuida da minha imagem, para se mobilizar em torno
de uma luta contra esse crime virtual, o objetivo é a regulamentação em
lei e fiscalização por parte dos órgãos públicos desses sites que
disponibilizam o download pirata, espero que as pessoas criem uma
consciência sobre o assunto e nos ajudem a mudar essa realidade
criada pela internet.
LUCIANA
MAZZA:
Não podíamos encerrar essa entrevista sem comentar a tragédia que
acometeu a sede da Igreja Renascer em Cristo neste último final de
semana. Pode comentar o ocorrido. É verdade que você teve um
livramento?
DJ ALPISTE:
19 de janeiro de 2009... Com certeza o dia mais triste da minha
vida cristã! Quando cheguei de viagem vindo de Recife, onde estive no
fim de semana fazendo um evangelismo, recebi a notícia do acidente
ocorrido na igreja onde eu congrego e onde me converti... Várias
ligações de amigos preocupados em saber se eu estava no local na hora do
acidente... Foi algo quase inacreditável para mim receber tal notícia...
Fica aqui meu sentimento de solidariedade às famílias das vítimas... Sou
filho da visão apostólica e sei que esse é só mais um gigante que
teremos que derrubar para alcançarmos a benção do Senhor... RENASCER EM
CRISTO, nós te amamos... Paz.
O CasaGospel.com agradece ao DJ Alpiste
por essa entrevista maravilhosa concedida ao nosso portal, e com tanta
informação sobre sua carreira e vida pessoal, e à Luciana Mazza da MR1
Comunicação & Marketing, Deus os abençoe sempre, e contem conosco!
CONTATO:
Luciana Mazza -
MR1 Comunicação & Marketing
11 78135842|
87*85823
E-mail:
mr1assessoriadeimprensa@gmail.com
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