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[28/01/05]
Sucesso musical sem estrelismo. O presidente da Vineyard Music Global,
Jeremy Cook, fala da sua experiência na música secular e dá conselhos ao
mercado evangélico brasileiro.
Não foi grande a surpresa quando o pastor
inglês Jeremy Cook foi convidado pelo fundador e presidente da Vineyard
Music Global, John Wimber, morto em decorrência de câncer em 1998, a
assumir seu cargo. Isso porque antes de se tornar pastor, Jeremy
colecionou um currículo invejável nas gravadoras seculares Virgin
Records e EMI. Ele chegou ao cargo de vice-diretor financeiro da EMI em
toda a Europa. Mas assumir a VM Global e voltar ao mundo da música
depois de quase dez anos gerou uma luta interna. “Eu tinha deixado tudo
para trás. Esse meio secular de música é terrivelmente corrupto”,
afirma. Durante sua viagem ao Brasil para observar o crescimento da
Vineyard Music, ele pôde conhecer a maior feira de produtos cristãos da
América Latina, a EXPO CRISTÃ, no final de setembro. Ficou espantado com
o fortalecimento e estruturação do segmento desde sua última visita ao
País, há dois anos. Crescimento também sentido pela VM, que durante a
EXPO recebeu das mãos de Uassyr Verotti, diretor executivo da
distribuidora VPC o disco de ouro pelo CD nacional Vem, esta é a hora.
Em entrevista, Jeremy Cook fala sobre as diferenças entre fazer música
secular e cristã, e como alcançar sucesso sem ferir princípios bíblicos.
VINEYARD
BRASIL: O Brasil mudou desde sua última viagem há dois anos?
JEREMY COOK: Sim, e provavelmente a maior
mudança que notei foi o desenvolvimento da indústria da música cristã.
Ela está se tornando mais organizada, criou-se uma estrutura. Eu fiquei
impressionado por ver quanto dinheiro e energia a EXPO CRISTÃ produz. Há
dois anos eu não esperaria algo assim. Sob minha perspectiva, a
indústria brasileira terá um desenvolvimento significativo nos próximos
cinco anos.
VINEYARD
BRASIL: O senhor já trabalhou com música
secular na EMI e Virgin Records. Qual é a principal diferença entre o
mercado de música religiosa e secular?
JEREMY COOK: Às vezes não há diferença
nenhuma [risos]. Elas são parecidas quando usam o mesmo processo de
gravação e distribuição. A tecnologia é muito similar. Som digital é som
digital sempre. A diferença está em algo muito mais significante. Nos
negócios seculares, o único objetivo é criar estrelas, vender milhões de
discos e fazer uma montanha de dinheiro. Já nós, como cristãos, devemos
ser guiados pelo Evangelho de Jesus Cristo. E é só isso. Mesmo que
tenhamos que pagar pelo trabalho, o lucro não deve ser nossa principal
motivação. Não devemos seduzir o povo com fama, dinheiro e tudo mais.
VINEYARD
BRASIL: Existe algum caminho para o sucesso em
que não ferimos os princípios cristãos?
JEREMY COOK: Boa pergunta [risos]. Sim, acho
que sim. O único sucesso que um cristão tem que ter biblicamente é a
bênção, ou seja, o favor de Deus. Deus pode te colocar no maior tesouro
dos homens. Mas se ele não estiver nisso, não significa nada.
VINEYARD
BRASIL: Como conciliar o aspecto puramente
ministerial com as necessidades de sobreviver no mercado?
JEREMY COOK: Toda música é emocional e
espiritual, porque toda música alcança o coração. Seja uma sensação
emocional ou espiritual, a música toca pessoas. É poderosa. E neste
ponto, para mim, a música pode ter somente dois propósitos: um propósito
secular, que é entretenimento, ou seja, para dançar ou relaxar. E isso
não é absolutamente errado. Mas música pode ser mais profunda ao se unir
com as notas e letras certas, pode captar do coração de um cristão o que
ele quer cantar a Deus. A idéia de louvor é libertar algo em você,
palavras, desejos, sentimentos do coração, que você proclama com a boca,
e toca o céu. E quando temos que promover alguma música, precisamos nos
questionar: estamos só entretendo ou dando às pessoas um propósito de
louvar a Deus?
VINEYARD
BRASIL: Quais eram as expectativas da Vineyard
ao chegar no Brasil pela primeira vez? Essas expectativas mudaram desde
então?
JEREMY COOK: Bem, nós obtivemos muito
sucesso nesses últimos dois anos. Eu tinha vontade de transmitir aos
brasileiros tudo o que Deus já havia feito pela VM e que isso, de alguma
maneira, se tornasse útil. Falo de estilo, de perder essa valorização do
indivíduo no louvor, que é um campo bem perigoso. Queríamos ser úteis.
Aconteceu um retorno a isso — tenho visto uma resposta nas conferências
e igrejas em que estive no Brasil. Minha segunda expectativa, e essa é a
mais importante, era que de alguma maneira a vinda ao Brasil poderia nos
impactar com o que Deus tem feito no país. E assim o Brasil enviaria um
“eco” de volta pelas suas próprias músicas ao resto do mundo.
VINEYARD
BRASIL: O senhor recomendaria que outras
empresas ou ministérios estrangeiros investissem no Brasil?
JEREMY COOK: Eu qualifico sim ou não dizendo
o seguinte: existe um grande desejo na comunidade cristã de se copiar
algo que deu certo em algum outro lugar. Isso não é completamente
errado, pois existem muito pontos positivos. Meu conselho para os
brasileiros é pegar o melhor, que funciona pra vocês, e deixar o resto.
O mesmo acontece no Brasil. Existem coisas que são especialmente
brasileiras. Copiar algo é extremamente limitado, e você pode perder
aquilo que é exclusivamente brasileiro.
VINEYARD
BRASIL: Como o senhor conheceu a Cristo?
JEREMY COOK: Quando eu terminei a faculdade,
persuadi o pessoal da EMI a me contratar. Eu era muito selvagem e
ambicioso. Obtive muito sucesso, tornei-me vice-presidente da gravadora
em toda a Europa com apenas 32 anos. Você não consegue esse tipo de
posição só com trabalho duro; há muita política envolvida. Você tem que
jogar o jogo deles. Entretanto, com o tempo, o que tinha alcançado não
fazia mais sentido. Até que um dia minha mulher me disse que tinha se
encontrado com Jesus. Eu pensei que ela tinha ficado louca, que nosso
casamento faliria. Apenas depois de algumas semanas eu pude ver as
mudanças na vida dela. Eu levei isso comigo por cerca de três meses, até
que aceitei Jesus durante uma festa. Fui transformado no mesmo instante.
Mas eu estava no mundo do entretenimento, e eu queria fugir dele —
achava-o mau, terrivelmente corrupto, o que é tudo verdade [risos]. Mas
a verdade é que Deus me abençoou incrivelmente no trabalho, e quando eu
finalmente deixei a gravadora para ser pastor, o chefe da EMI se
levantou em uma conferência e disse: “A razão pela qual estamos perdendo
Jeremy é porque não podemos competir com Jesus”. Ele estava brincando,
mas também estava profetizando.
Agradeço a todos da
Vineyard Music Brasil, principalmente a Renata, que nos enviou esta
entrevista e também ao Presidente da Vineyard Music Global. Que Deus
venha abençoar sempre o trabalho da Vineyard Music no Brasil e no Mundo,
e que venham muitos frutos.
Contatos:
Maiores informações:
Site:
www.vineyardmusic.com.br
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