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Um pente fino na carreira da cantora Pamela e seu retorno à MK Music

Aos 18 anos, a cantora Pamela lançava no mercado nacional pela extinta e saudosa gravadora Zekap Gospel seu terceiro CD Tudo o que sou (2000), primeiro com projeção nacional. Com um repertório recheado de versões das norte-americanas Jaci Velasquez e Rachael Lampa, embalado pelos singles Com uma oração (Just Prayer Away), Creio Em Ti (On my Kness) e a romântica Desde o primeiro momento (versão da música From this moment gravada originalmente por Shania Twain), ganhando assim rápida projeção nacional, chamando a atenção de gravadoras como a MK MUSIC, que apostou na cantora para ser o carro chefe da música pop na gravadora.

Com forte projeção com o público jovem, em 2002 a cantora lançava pela major gospel MK MUSIC o álbum Um passo ao céu. Com a estrutura da gravadora, Pamela não se abrigou em versões para fortalecer seu repertório. Com compositores da casa, forte investimento em divulgação e a produção musical de Wagner Carvalho, a cantora tomou conta das FMs de todo o país. O pop country Caminho da perfeição e a romântica Um verso de amor, foram tocadas exaustivamente e até hoje são lembradas como um dos maiores hits nos 30 anos da gravadora.

Satisfeita com a recepção do álbum anterior, a gravadora e cantora não mediram esforços para superar as expectativas do público no álbum posterior A chuva (2004). Repetindo a dobradinha com Wagner Carvalho, a cantora mergulhou mais fundo no universo pop. Com campanha de divulgação ainda mais intensa do que o primeiro álbum pela gravadora, o álbum chegou ao mercado com várias novidades na manga: Capa com gliter, dueto com Marina de Oliveira fazendo referência ao dueto ‘Britney e Madonna’, entre outros. Os hits desse disco foram a faixa título A chuva e mais uma vez uma faixa romântica Você me conquistou.

Se em A Chuva a cantora, o produtor e a gravadora fizeram o dever de casa, no terceiro álbum o dever ficou incompleto. Sal e Luz (2006), o terceiro CD começou a mostrar certo sinal de esgotamento, sem inovações, o disco não foi tão projetado quanto os anteriores. Apesar de algumas curiosidades, como a faixa título do disco ser uma canção de autoria da pentecostal Léa Mendonça, e a música Contar as Estrelas, que foi o maior destaque do disco, ser uma composição da sertaneja Rayssa, o álbum mostrou uma certa estagnação na carreira da cantora.

Buscando novos ares para o quarto projeto, entregaram a produção para o produtor Rogério Vieira, CD que levou o nome A Chave (2008). Ao invés de buscar inovações para o seu som pop, a cantora retrocedeu em seu som, e apresentou um disco perdido. Recheado de composições do até então novato compositor Anderson Freire, e com versões do Hillsong, Jesus Adrian Romero e Israel Houston, o disco não empolgou e não gerou nenhum grande hit.

Tentando retornar aos trilhos do pop, mas já com uma imagem desgastada por algumas polêmicas que envolviam a sua vida pessoal, a cantora lançou o Ritmo e Poesia (2010), seu quinto álbum pela major MK MUSIC. Com uma proposta inicial de ser um CD romântico, o disco tomou outros ares, teve fortes influências do funk melody carioca. A inovação, entretanto, não agradou o seu público e resultou na não renovação de contrato da cantora com a gravadora.

Tentando recuperar seu espaço no cenário gospel, a cantora lançou via Mess Entretenimento o álbum Recuperando o Tempo (2012). Já casada com o produtor Márcio Carvalho, que é o produtor do álbum, a cantora tentou mesclar baladas eletrônicas, baladas românticas e sertanejo universitário. Apesar de ser um disco com boas composições, devido aos singles sertanejos, o álbum soou um tanto sem coesão e por ser lançado por uma gravadora menor não teve a projeção necessária para colocar a cantora de volta nos holofotes.

Em 2014 a cantora lançou pela Som Livre o álbum Tempo de Sorrir. Produzida mais uma vez pelo seu marido, o disco amadureceu a fórmula do antecessor, trouxe um resgate da Pamela que foi consagrada nos meados dos anos 2000. Apesar do disco ser coerente, não teve devida atenção por parte da gravadora, e a divulgação foi bem mau planejada. Em seus shows a cantora ainda se refugiava nos antigos sucessos, o que de certa forma é uma lástima, porque estamos diante de uma artista, que apesar de ter limitações vocais, colaborou e muito para a música pop gospel nacional.

Apesar de alguns deslizes, a cantora sempre se mostrou eficiente em construir um repertório sólido, coerente, fez discos inteiramente bons (Tudo o que sou – Um passo ao céu – A Chuva), alguns parcialmente bons (Sal e Luz – Recuperando o Tempo – Tempo de Sorrir), e alguns dispensáveis (A Chave – Ritmo e Poesia).

Esperamos que para um novo projeto, a cantora não tenha pressa e nem medo de fazer um som genuinamente pop. Ainda mais agora com a notícia recente de que a cantora volta para a MK Music. Que venha com bons arranjadores e compositores. A música pop gospel está passando por um período ruim, mas nós acreditamos no potencial da cantora, em resgatar e ser pioneira de um som pop na música gospel nacional. Experiência não falta a cantora.